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O guru vivo do afrobeat

Por Débora Alcântara

De Salvador

Depois de um post sobre o gênio Fela Kuti, o Experimentoteca não poderia cometer a garfe de não tocar no som do fantástico Tony Allen, nada menos que o co-autor, ao lado de Fela, do afrobeat, o resultado super temperado da fusão do jazz, soul, funk e highlife. Nascido em Lagos, Nigéria, em 1940, o baterista excêntrico foi parceiro de Fela Kuti por mais de duas décadas, desde o grupo Koola Lobitos ao Afrika 70. Um dos elementos fundamentais do afrobeat nasceu quando Alen desferiu um golpe duplo no bumbo, dando impulso à música forjada com muita ideologia e engajamento político. Um marco estético que o tornará tão imortal quanto é Fela Kuti. Saiba mais

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Jorge Mautner e a apologia à digestão da diversidade

Por Débora Alcântara
De Salvador

Esse post foi inspiração de um outro, feito pelo amigo Bernardo Amorin no facebook. Achei que seria importante disseminar mais um pouco sobre “Maracatu Atômico”, uma pérola do multiartista Jorge Mautner e do seu parceiro na música, Nelson Jacobina, na década de 1970. Nas gerações mais recentes, a canção foi retomada para se tornar uma bandeira do movimento cultural Manguebeat, liderado pelo pernambucano Chico Science. Ganhou o mundo, inicialmente, na voz de Gilberto Gil, virando um dos ícones do movimento Tropicalista, mas antes, da “antropofagia cultural” e da apologia à Mitologia do Kaos, tão defendidos por Mautner em todos os seus trabalhos, desde a música, ao cinema e à literatura. Baseada na fenomenologia do filósofo alemão Edmund Husserl, a Mitologia do Kaos virou uma trilogia nas mãos mautneanas. O oroboro, o símbolo da eternidade, do devir, da autofecundaçao, e a angústia como condição autêntica da existência são barro forjado pelas obras desse artista. Saiba mais

Fela Kuti e a teia do afrobeat

Por Débora Alcântara

De Salvador e BH

Vai aí um post de um dos precursores do afrobeat: o nigeriano Fela Kuti, que criou uma música ousada como instrumento de ativismo político. No Trinity College of Music, em Londres, ele botou na mesma panela o jazz americano, o rock psicodélico e o highlife da África Ocidental. Fela preserva a percussão de estilo africano e introduz estruturas que passam por jazz e seções de metais funky, tendo como co-autor o também nigeriano e seu parceiro Tony Allen, dono dessas batidas atípicas. O “endless groove” também aparece nesse caldo. É uma verdadeira matriz de outras experiências musicais no mundo. Esses elementos do caldeirão de Fela Kuti, por exemplo, são alguns dos que vão ao prato de nossa afrolatinidade. A música de Fela também digeriu o movimento Black Power e os Panteras Negras. Depois disso, sua banda ganha a alcunha de Nigéria 70, cujos integrantes eram a população da República Kalakuta, uma comuna fundada por Fela e onde era instalado um estúdio de gravação, o espaço de suas experimentações. Mais tarde, o músico declarou ousadamente essa comuna como independente do Estado da Nigéria, o que nada agradou ao governo nigeriano. Em 1977 Fela lança o sucesso Zombie, uma crítica mordaz às forças armadas nigerianas. O álbum foi um sucesso fatal. Em conseqüência, o governo manda mil soldados ao ataque da República Kalakuta. Fela foi espancado e sua mãe arremessada de uma janela. A República Kalakuta foi incendiada e o estúdio, instrumentos e gravações originais de Fela destruídos. Então vai aos internautas “Zombie”, uma metáfora que faz uma referência a “zumbi”, ser manipulado, controlado. Quem quiser dar início a uma investigação sobre esse irreverente músico vale dar uma espiada nas respostas de Fela a esse ataque, além do envio do caixão de sua mãe ao quartel de Lagos: “Coffin for Head of State” eUnknown Soldier“. Deleitem-se com um bom balanço no esqueleto e com o “jogo espiritual underground” de Fela Kuti.