Arquivos da Categoria: Rock

Abram as portas da percepção sem precisar de mescalina

Por Débora Alcântara
De BH

É uma pena que não deu tempo de o ícone do funk, George Clinton, gravar uma peça com Sun Ra, outro ícone, só que do afrofuturismo. “Nós deveríamos ter feito algumas músicas juntos, combinando nossos grupos”, disse em entrevista neste ano, ao noticiário SF Weekly. Mas a conversa entre os lendários aconteceu pouco antes de Sun Ra morrer, em 1993, sem que o grande feito tenha sido consumado. Lamentável. Se tivessem fundido os estilos, a “filosofia cósmica” de Sun Ra, com seu jazzismo idiossincrático, deslancharia rumo a Saturno, metatraduzida na voz rouca e gutural de Clinton ornamentada pelas genialidades das bandas do afrofuturista e as Parliament e Funkadelic. Quem dera que um bocado do “Anjo da Raça”, como se auto-intitulava Sun Ra, compusesse um hibridismo cósmico com a sensibilidade de George Clinton, que vai do doo wop ao funk, como performance musical, inspirando mais tarde o movimento rap. Saiba mais

Jorge Mautner e a apologia à digestão da diversidade

Por Débora Alcântara
De Salvador

Esse post foi inspiração de um outro, feito pelo amigo Bernardo Amorin no facebook. Achei que seria importante disseminar mais um pouco sobre “Maracatu Atômico”, uma pérola do multiartista Jorge Mautner e do seu parceiro na música, Nelson Jacobina, na década de 1970. Nas gerações mais recentes, a canção foi retomada para se tornar uma bandeira do movimento cultural Manguebeat, liderado pelo pernambucano Chico Science. Ganhou o mundo, inicialmente, na voz de Gilberto Gil, virando um dos ícones do movimento Tropicalista, mas antes, da “antropofagia cultural” e da apologia à Mitologia do Kaos, tão defendidos por Mautner em todos os seus trabalhos, desde a música, ao cinema e à literatura. Baseada na fenomenologia do filósofo alemão Edmund Husserl, a Mitologia do Kaos virou uma trilogia nas mãos mautneanas. O oroboro, o símbolo da eternidade, do devir, da autofecundaçao, e a angústia como condição autêntica da existência são barro forjado pelas obras desse artista. Saiba mais

Os Novos Baianos e a contracultura

Por Débora Alcântara
De Salvador

Mais que dois. Descalços, andando pelo mundo, como eram, como podiam ser, tinindo, trincando, vestidos de lunetas, deixando e recebendo um tanto. Assim foram Os Novos Baianos, um movimento nascido em 1969, em Salvador. Em dez dias, no ano de 1973, o produtor Solano Ribeiro, precursor do modelo dos “festivais de música” no Brasil dos anos 60 e 70, conseguiu registrar um pouco do sistema alternativo criado por eles, com o documentário “Novos Baianos FC”, realizado num sítio comunitário no Rio de Janeiro, onde a trupe morou de 1970 a 1975. A encomenda freelancer para uma emissora alemã acabou se tornando uma pérola que mostra um pouco de como aconteceu um dos mais importantes movimentos contraculturais brasileiros.  Saiba mais

Robin de Paris

Por Juliette Savin

de Munique/ Alemanha

O primeiro album de Robin Leduc, Hors-Pistes saiu em Outubro 2010 e jà ganhou varios premios na França. A musica desse Parisiense radicado na Africa (como eu 😉 ) é pop, mas so o suficiente. Tem umas influencias africanas, de soul, de blues, de rock, e o resultado é bem divertido! Nao vejo a hora dele tocar por aqui!

Reckoner

Por Juliette Savin

de Munique/Alemanha

Estou animada: Radiohead anunciou na segunda-feira que vai lançar o seu proximo album na internet, neste sabado (19 de fevereiro) … A banda inglesa, inovadora no seu modo de distribuiçao, ja tinha feito isso em 2007, para o lançamento do seu ultimo album, In Rainbows: fans podiam baixar o album do site da banda, pagando o que quisessem. Dessa vez, vamos ter que pagar £6 para baixar o mp3 de The King of Limbs.

Reckoner è uma maravilha e acho o video, por Clément Picon, lindo. Por favor escutar com som bem alto…