Arquivos da Categoria: música africana

As cores do Afrobeat

Por Natã vieira

De Salvador

O afrobeat como movimento musical profícuo e de consequências históricas já foi em certa medida apresentado aqui na experimentoteca, pelos posts da colega Débora Alcântara. Teve como seu maior front leader, o ativista e virtuose Fela Kuti. Mas como todo forte movimento artístico ele foi além do seu gênero originário e alcançou as artes plasticas, mesmo que hegemonicamente na capa dos discos. Lemi Ghariokwu é o homem por trás das capas dos discos de Fela Kuti e mais algumas 2000 capas espalhadas, entre elas uma de Bob Marley. Impressiona não somente o uso das cores mas o estilo panfletário e de street-art de Lemi. Em muitas delas misturando textos aos desenhos que retratam as lutas civis de libertação e democratização Africana e mais especificamente da Nigéria, como no disco 1976 Kalakuta Show de Fela Kut,i onde a repressão dos “Zombies” sobre o povo e o caos vivido pela violência aparecem ao lado da Kalakuta, este como um refugio (e o era!!) sob o olhar de Fela.

Ghariokwu colocou em suas capas a expressão da música de Fela, rítmica, colorida, que sofre e aponta o dedo… e os punhos. O afrobeat seguiu para além da música, foi além da poesia e foi além… foi político e ativista.

Hoje Lemi faz parte do acervo permanente do MOMA, NY com o quadro Anoda Sistem (2002). Segue abaixo algumas fotos de seu trabalho nos discos de Fela.

Segue abaixo algumas das capas feitas por Lemi

 

O guru vivo do afrobeat

Por Débora Alcântara

De Salvador

Depois de um post sobre o gênio Fela Kuti, o Experimentoteca não poderia cometer a garfe de não tocar no som do fantástico Tony Allen, nada menos que o co-autor, ao lado de Fela, do afrobeat, o resultado super temperado da fusão do jazz, soul, funk e highlife. Nascido em Lagos, Nigéria, em 1940, o baterista excêntrico foi parceiro de Fela Kuti por mais de duas décadas, desde o grupo Koola Lobitos ao Afrika 70. Um dos elementos fundamentais do afrobeat nasceu quando Alen desferiu um golpe duplo no bumbo, dando impulso à música forjada com muita ideologia e engajamento político. Um marco estético que o tornará tão imortal quanto é Fela Kuti. Saiba mais

Fool’s Gold

Por Juliette Savin

De Munique/Alemanha

Mais uma para minha série ‘musica que nao é de onde parece vir’. Ao ouvir Surprise Hotel pela primeira vez, tinha certeza que essa musica vinha direito da Africa… Não é exatamente isso. Fool’s Gold é uma banda de Los Angeles que faz uma musica inspirada por ritmos Africanos, mas com letras em… Hebraico! E funciona! Adoro a energia de Surprise Hotel.

Mayra Andrade e o crioulo universal

Por Débora Alcântara

De Salvador

É muito forte a minha intuição de que esse post vai provocar paixões e uma fissura em querer saber cada vez mais sobre essa cubana de nascimento e cabo-verdiana de identidade: Mayra Andrade. Uma compositora e intérprete rara. Dona de uma voz aveludada e marcante, ela se une ao som extraído do baixo pelo camaronês Etienne M’Bappé. O resultado é simplesmente genuíno e mágico. Toda a obra dessa moça é um estímulo para pessoas de toda parte do mundo aprenderem crioulo cantando. Mayra Andrade contribui para que essa língua tão autóctone deixe de ter, deliciosamente, essa condição.