Arquivos da Categoria: Instrumental

Abram as portas da percepção sem precisar de mescalina

Por Débora Alcântara
De BH

É uma pena que não deu tempo de o ícone do funk, George Clinton, gravar uma peça com Sun Ra, outro ícone, só que do afrofuturismo. “Nós deveríamos ter feito algumas músicas juntos, combinando nossos grupos”, disse em entrevista neste ano, ao noticiário SF Weekly. Mas a conversa entre os lendários aconteceu pouco antes de Sun Ra morrer, em 1993, sem que o grande feito tenha sido consumado. Lamentável. Se tivessem fundido os estilos, a “filosofia cósmica” de Sun Ra, com seu jazzismo idiossincrático, deslancharia rumo a Saturno, metatraduzida na voz rouca e gutural de Clinton ornamentada pelas genialidades das bandas do afrofuturista e as Parliament e Funkadelic. Quem dera que um bocado do “Anjo da Raça”, como se auto-intitulava Sun Ra, compusesse um hibridismo cósmico com a sensibilidade de George Clinton, que vai do doo wop ao funk, como performance musical, inspirando mais tarde o movimento rap. Saiba mais

Anúncios

Bixiga 70, do Bixiga para o mundo

Por Débora Alcântara
De Salvador

Um sonzaço! Para aqueles que curtem o demiurgo do afro-beat, Fela Kuti, vai vibrar com a banda paulistana Bixiga 70, que soma um pouco mais de um ano. Novinha, mas imbuída até a medula de ancestralidade. O despejo dos golpes duplos no bumbo são incrementados com o melhor de nossa africanidade hibridizada. Bixiga, porque foi num estúdio localizado no bairro da terra da garoa, Bixiga, onde o conjunto nasceu, no número 70 da rua Treze de Maio. Mas o 70 não é só o endereço. A referência maior é à banda Afrika 70, formada pelo nigeriano Fela Kuti.  É no bairro do Bixiga que os dez músicos tecem o laço entre o passado e o futuro através de uma leitura da música cosmopolita de países como Gana e Nigéria, dos tambores dos terreiros e dos afro-sambas, da música malinké e de uma aposta despretenciosa para o improviso e a dança. Aumente o som e se entregue à sinestesia com Décio 7 na bateria, Rômulo Nardes e Gustávo Cék na percussão, Marcelo Dworecki no baixo, Mauricio Fleury com suas teclas e guitarra, Cris Scabello também na guitarra, Cuca Ferreira no sax barítono, Doug Bone no trombone, Dany Boy no sax tenor e Daniel Gralha com seu trompete.

Blues da sarjeta


Por Débora Alcântara
De Belo Horizonte

ImageA vida difícil numa das diversas repúblicas de estudantes da cidade de Itabuna, interior da Bahia, foi a condição propícia para o nascimento, em 2008, da Banda Mendigos Blues, nome sugestivo, por sinal, para decifrar as agruras tratadas com sarcasmo, através da música. “A situação era tão cabulosa que éramos conhecidos como tal”, admite Ismerarock, vocalista e um dos demiurgos do grupo na guitarra e no violão. A banda também conta com Jonnie Walker (vocais e guitarra), Ayam U´Brais (baixo e vocais) e Chucri (bateria).

Para seu acalento, a turma foi beber na literatura de Charles Bukowski a naturalidade de viver na dita “sarjeta”, fazendo dela, acima de tudo, uma rica fonte de inspiração. “Acho que a maior influência que levo de Buk é essa: não tenho a mesma visão de sucesso da sociedade burguesa. Quero tão pouco pra mim!”, esmiúça Ismera. Saiba mais

Est-ce que tu peux me voir?

Por Juliette Savin

De Munique – Alemanha

Jun Myiake é a minha última descoberta musical. Para mim, esse compositor Japones, que mora na Franca, é um gênio. Descobri a sua música no filme Pina de Wim Wenders, e foi amor ao primeiro ouvido… A música do Jun Myiake completa tao bem a coregrafia de Pina Bausch, é de arrepiar.

Jun Myiake, que faz musica para filmes, o teatro, a danca,  colabora com artistas do mundo inteiro, como o Americano Arto Lindsay, o Frances Arthur H e, aqui Americana Lisa Papineau.

Altamiro Carrilho – Doce de Coco

Por Gabriel Barbosa

De Salvador

O choro é um gênero musical genuinamente brasileiro. Assim como o Jazz nos EUA, o choro tem riqueza e complexidade eruditas, mas é essencialmente popular, tocado por e para o povo – ao menos em sua origem, pois hoje (mais uma semelhança com o Jazz) adentra o gosto de uma elite saudosista.Altamiro Carrilho é talvez o maior chorão vivo. Genial instrumentista, começou tocando de brincadeira numa flauta de bambu feita por ele mesmo aos cinco anos de idade, em Santo Antônio de Pádua – RJ. Acabou famoso no mundo inteiro: EUA, México, Europa, ex-União Soviética… encantando a todos com seu estilo, um equilíbrio perfeito entre vigor e limpeza de som. Aqui ele toca “Doce de Coco”, do imortal Jacob do Bandolim.