Arquivos da Categoria: afrobeat

Bixiga 70, do Bixiga para o mundo

Por Débora Alcântara
De Salvador

Um sonzaço! Para aqueles que curtem o demiurgo do afro-beat, Fela Kuti, vai vibrar com a banda paulistana Bixiga 70, que soma um pouco mais de um ano. Novinha, mas imbuída até a medula de ancestralidade. O despejo dos golpes duplos no bumbo são incrementados com o melhor de nossa africanidade hibridizada. Bixiga, porque foi num estúdio localizado no bairro da terra da garoa, Bixiga, onde o conjunto nasceu, no número 70 da rua Treze de Maio. Mas o 70 não é só o endereço. A referência maior é à banda Afrika 70, formada pelo nigeriano Fela Kuti.  É no bairro do Bixiga que os dez músicos tecem o laço entre o passado e o futuro através de uma leitura da música cosmopolita de países como Gana e Nigéria, dos tambores dos terreiros e dos afro-sambas, da música malinké e de uma aposta despretenciosa para o improviso e a dança. Aumente o som e se entregue à sinestesia com Décio 7 na bateria, Rômulo Nardes e Gustávo Cék na percussão, Marcelo Dworecki no baixo, Mauricio Fleury com suas teclas e guitarra, Cris Scabello também na guitarra, Cuca Ferreira no sax barítono, Doug Bone no trombone, Dany Boy no sax tenor e Daniel Gralha com seu trompete.

As cores do Afrobeat

Por Natã vieira

De Salvador

O afrobeat como movimento musical profícuo e de consequências históricas já foi em certa medida apresentado aqui na experimentoteca, pelos posts da colega Débora Alcântara. Teve como seu maior front leader, o ativista e virtuose Fela Kuti. Mas como todo forte movimento artístico ele foi além do seu gênero originário e alcançou as artes plasticas, mesmo que hegemonicamente na capa dos discos. Lemi Ghariokwu é o homem por trás das capas dos discos de Fela Kuti e mais algumas 2000 capas espalhadas, entre elas uma de Bob Marley. Impressiona não somente o uso das cores mas o estilo panfletário e de street-art de Lemi. Em muitas delas misturando textos aos desenhos que retratam as lutas civis de libertação e democratização Africana e mais especificamente da Nigéria, como no disco 1976 Kalakuta Show de Fela Kut,i onde a repressão dos “Zombies” sobre o povo e o caos vivido pela violência aparecem ao lado da Kalakuta, este como um refugio (e o era!!) sob o olhar de Fela.

Ghariokwu colocou em suas capas a expressão da música de Fela, rítmica, colorida, que sofre e aponta o dedo… e os punhos. O afrobeat seguiu para além da música, foi além da poesia e foi além… foi político e ativista.

Hoje Lemi faz parte do acervo permanente do MOMA, NY com o quadro Anoda Sistem (2002). Segue abaixo algumas fotos de seu trabalho nos discos de Fela.

Segue abaixo algumas das capas feitas por Lemi

 

O guru vivo do afrobeat

Por Débora Alcântara

De Salvador

Depois de um post sobre o gênio Fela Kuti, o Experimentoteca não poderia cometer a garfe de não tocar no som do fantástico Tony Allen, nada menos que o co-autor, ao lado de Fela, do afrobeat, o resultado super temperado da fusão do jazz, soul, funk e highlife. Nascido em Lagos, Nigéria, em 1940, o baterista excêntrico foi parceiro de Fela Kuti por mais de duas décadas, desde o grupo Koola Lobitos ao Afrika 70. Um dos elementos fundamentais do afrobeat nasceu quando Alen desferiu um golpe duplo no bumbo, dando impulso à música forjada com muita ideologia e engajamento político. Um marco estético que o tornará tão imortal quanto é Fela Kuti. Saiba mais

Jorge Mautner e a apologia à digestão da diversidade

Por Débora Alcântara
De Salvador

Esse post foi inspiração de um outro, feito pelo amigo Bernardo Amorin no facebook. Achei que seria importante disseminar mais um pouco sobre “Maracatu Atômico”, uma pérola do multiartista Jorge Mautner e do seu parceiro na música, Nelson Jacobina, na década de 1970. Nas gerações mais recentes, a canção foi retomada para se tornar uma bandeira do movimento cultural Manguebeat, liderado pelo pernambucano Chico Science. Ganhou o mundo, inicialmente, na voz de Gilberto Gil, virando um dos ícones do movimento Tropicalista, mas antes, da “antropofagia cultural” e da apologia à Mitologia do Kaos, tão defendidos por Mautner em todos os seus trabalhos, desde a música, ao cinema e à literatura. Baseada na fenomenologia do filósofo alemão Edmund Husserl, a Mitologia do Kaos virou uma trilogia nas mãos mautneanas. O oroboro, o símbolo da eternidade, do devir, da autofecundaçao, e a angústia como condição autêntica da existência são barro forjado pelas obras desse artista. Saiba mais

Karibu ya bintou

Por Juliette Savin

De Munique/ Alemanha

Vindo direitamente de Kinshasa, capital do Congo, esse vídeo de Karibu ya bintou, do artista Baloji com a banda Konono n 1, é violento, agressivo e misterioso. Ilustra perfeitamente a música de Baloji, acompanhada pelo som hipotizador – mistura de piano de dedo elétrico (likembé) e percussões – de Konono n 1. Acho o conjunto música+vídeo estranhamente viciante …