Blues da sarjeta


Por Débora Alcântara
De Belo Horizonte

ImageA vida difícil numa das diversas repúblicas de estudantes da cidade de Itabuna, interior da Bahia, foi a condição propícia para o nascimento, em 2008, da Banda Mendigos Blues, nome sugestivo, por sinal, para decifrar as agruras tratadas com sarcasmo, através da música. “A situação era tão cabulosa que éramos conhecidos como tal”, admite Ismerarock, vocalista e um dos demiurgos do grupo na guitarra e no violão. A banda também conta com Jonnie Walker (vocais e guitarra), Ayam U´Brais (baixo e vocais) e Chucri (bateria).

Para seu acalento, a turma foi beber na literatura de Charles Bukowski a naturalidade de viver na dita “sarjeta”, fazendo dela, acima de tudo, uma rica fonte de inspiração. “Acho que a maior influência que levo de Buk é essa: não tenho a mesma visão de sucesso da sociedade burguesa. Quero tão pouco pra mim!”, esmiúça Ismera.

Como bons bukowskianos, agregaram o humor cáustico de Jonh Fante. Mas também sorveram a pegada contracultural e a poesia marginal de Paulo Leminsk. A “aura” dessas inspirações, segundo Ismera, estão nítidas nas canções “Despedida”, “Navi da Noite” e “Lembranças de uma noite”.

O tempero dessas fontes de sabor metaforicamente etílico também é evidente no primeiro videoclip do grupo, com a música “Jeep”, em referência a um morador da região (Baixo Sul baiano) que enlouqueceu dirigindo um Jeep invisível, rememorando sempre em seu universo paralelo, a suposta promessa do pai, que ficou lhe devendo o tal automóvel quando ele passou no vestibular. O viajante, cujo corpo virou extensão do seu Jeep invetado, percorria as estradas e as ruas das cidades vizinhas. É o que a  Experimentoteca colheu para a degustação sinestésica dos internautas. Segundo Ismera, o clip foi baseado no filme “SuperOutro” (1989), de Edgar Navarro, que conta a história de um louco, morador das ruas. Ao tentar libertar-se da miséria que o assedia, o personagem acaba “subvertendo a própria lei da gravidade”.

A banda, que já comemora shows pelo Brasil a fora, já chegou a concorrer ao Fun Music 2009, em São Paulo. Com nove faixas, definiu o seu primeiro disco “Repúblicas e Mutretas”. Quem parar pra sacar mais um pouco o som da turma, vai degustar notas de blues, do rock setentista, jazz, soul e, claro, da música regional.

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Uma resposta para “Blues da sarjeta

  1. gustavo 23/01/2012 às 10:00

    Muito bom o blues, o clipe tambem encaixou com a música…Bukowski só não ia gostar do estilo pois só ouvia úsica clássica…heheheh azar foi o dele…

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